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Fui parar na Suíça!

Fui parar na Suíça!

Sempre voltamos diferentes de uma viagem, então podemos dizer que uma experiência no exterior mudará sua vida. Leia o depoimento da Rafaela sobre os caminhos que a levaram à Suíça.

Tenho a lembrança de desejar morar em outro país já aos 12 anos de idade. Era o que eu dizia querer, e pensando bem, não faz nenhum sentido uma criança dessa idade sonhar com isso, falar essas coisas. Ou talvez faça, quem sabe tudo não esteja interligado ?!

Pois bem, aos 16 anos, apaixonada pela Inglaterra e sua cultura, decidi de algum modo dar chance ao meu sonho e comecei a economizar dinheiro. Trabalhava com mais ou menos um objetivo em mente, e esta meta incluía poder dizer oficialmente que eu falava inglês - anos antes e sem pretensões, comecei a estudar a língua e continuei de forma auto-didata, até que com esta idade voltei para o cursinho e concluí esta etapa.

O tempo passava e meu pai observou que meus planos eram sérios. Aos 18 anos ele buscou algum conhecido na Europa que pudesse me auxiliar na aventura de morar fora, até que me estabelecesse, e deu certo, mas fui parar na Suíça !

Ao chegar, a ficha caiu e o desespero bateu à porta ; aos 18 anos eu ainda era uma criança e hoje me dou conta da coragem que tive ao deixar o conforto de uma vida tranquila de adolescente ao lado da família para me arriscar tão longe e sem perspectivas ou planos concretos.

Mas a vida adulta chega e uma hora você tem que viver por você e ser seu próprio mentor. E no meu caso, um dia após o outro, com uma coisa ligada à outra durante a caminhada.

Viver em outro país não é nada fácil e por mais ambientado que você consiga ficar, sempre será um estrangeiro, o que pode causar desconforto em diversas ocasiões. No entanto, é muito válido sentir na pele as dificuldade de um imigrante e encarar sob uma perspectiva diferente esta questão.

O subemprego ou desvalorização, as dificuldades com um idioma diferente (no meu caso, o francês), o custo de vida elevado, a documentação que pende, as regras locais desconhecidas... é como um jogo de vídeo-game em que você está caminhando por fases, sempre uma mais difícil que a outra, porém com uma recompensa no final (que não são apenas as histórias engraçadas que a experiência renderá depois).

Ao sair da minha bolha, aprendi a contar e me surpreender com a bondade alheia, totalmente desinteressada, afinal eu não tinha nada a oferecer àquelas pessoas naquele momento, o que ia de um convite para um lanche, até uma simples carona que me ofereciam.

Aprendi também a encarar a solidão e a falta de companhia, a apreciar as pessoas e amizades, e observar seus comportamentos tão diferentes devido à diferença cultural, a ouvir histórias de vida, a prestar atenção em detalhes e valorizar a comunicação plena, a me adaptar e compreender os privilégios aos quais sempre tive acesso, e que ali, do outro lado do oceano, eram inexistentes (afinal, no « estrangeiro » ninguém nos conhece e nada temos, a não ser uma mala com coisas da vida de antes), a reparar que nos tornamos uma outra pessoa, com outros hábitos e até mesmo estilo, dependendo de onde estivermos. De fato, essa experiência de alguns anos foi incrivelmente rica e me tornou um outro alguém, criei uma segunda personalidade por assim dizer ; minhas perspectivas mudaram e novas janelas se abriram.

Penso que minha maior conquista desses tempos foi a língua que adquiri. Poderia até dizer que o meu novo idioma foram minhas maiores conquistas, assim mesmo, no plural, pois são vários os frutos que colhemos quando aprendemos uma nova maneira de nos comunicarmos; criamos uma nova persona em nós, temos acesso a áreas e conhecimento antes totalmente ignorados, conseguimos entender novas perspectivas e formas de pensar, ganhamos um novo senso de humor e uma nova visão em paralelo, ganhamos enfim um novo « eu ». 

E ah ! Até hoje não conheci a Inglaterra (coisas da vida) ! 😉

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