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Aos 20

Aos 20

Aos 20 anos eu fui diagnosticada com depressão, transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico e esgotamento.

Naquele momento eu fui obrigada a me confrontar. Eu passei os próximos três anos subsequentes da minha vida em processo de cura e avaliando cada passo que eu havia dado que poderia explicar aquela situação.

Depois de muito auto cuidado e ajuda psicológica eu finalmente consegui me enxergar…

 

Aos 20 eu não conseguia dizer não.

Aos 20 eu não queria decepcionar ninguém.

Aos 20 eu me forçava a ser adulta demais.

Aos 20 eu já era muito bem recomendada profissionalmente.

Aos 20 eu já tinha um emprego fixo como publicitária, uma cartela recheada de freelas e ainda me apresentava em shows como DJ.

Aos 20 eu amava ter cada segundo do meu tempo focado no trabalho.

Aos 20 eu não sabia mais quem eu era.

Aos 20 eu não sabia onde eu estava indo, mas aparentemente parecia que estava dando tudo certo.

Aos 20 o meu bem estar já não era mais a minha prioridade.

Aos 20 eu já não aguentava de tanto cansaço.

Aos 20 apesar de tanto cansaço eu não conseguia parar.

Aos 20 o médico me disse que meu corpo não aguentava mais e que eu precisava parar.

Aos 20 o meu corpo me obrigou a parar.

 

Quando eu finalmente parei, as coisas começaram a se ajeitar.

Foi quando eu percebi que um dos maiores motivos de eu ter chegado naquele ponto era o fato de que no meu processo de amadurecimento eu tinha deixado a criança inventora de histórias e mundos sumir dentro de mim, pra que eu pudesse me adequar em um espaço de gente grande que seguem padrões tão minuciosos.

E aquela garotinha que existia em mim era a minha maior essência, a linha guia do que eu queria ser pra sempre. A menina que acreditava em histórias, que inventava mundos e cenários, uma criança verdadeira e fiel com as suas crenças.

Então eu peguei na mão daquela garotinha que estava guardada no fundo das minhas lembranças e a trouxe de volta.

Eu a deixei sonhar, a deixei viver de novo e a abracei o mais forte que eu podia. E como um choque o meu corpo respondeu de forma rápida, dando energia a cada membro do meu corpo, me dando ânimo pra acordar e paz pra dormir. 

Mas, como eu já havia passado dos 20 eu precisava voltar a trabalhar, eu precisava voltar ao mundo adulto, eu precisava continuar com as minhas responsabilidades, eu não podia ficar presa a quem eu era no passado.

Então eu voltei, mas eu voltei de mãos dadas com a garotinha que estava dentro de mim, mantendo viva a essência que eu tanto desejava.

Eu voltei focada em uma nova profissão, em um novo curso, em uma nova cidade, em um novo estado e pronta pra criar novas histórias.

E foi nesse ponto da minha vida que eu entrei no curso de Cinema do Centro Europeu. Não tinha lugar mais óbvio pra minha garotinha poder viver em paz comigo que não fosse no mundo dos roteiros, cercada por histórias que eu mesma inventava.

Me dediquei a criar personagens, vidas e diálogos que eu queria que as outras pessoas pudessem ver. 

Hoje eu estou aqui, com 24 anos, terminando meu curso de cinema, escrevendo os meus roteiros e planejando os meus próximos passos.

Agora eu sei dizer “não” a muita coisa que não me representa, eu coloco minha saúde mental em prioridade, e o mais importante, hoje eu sei quem eu sou, o que eu amo e qual é a minha essência.

Estou de mãos dadas com a garotinha inventora de histórias, e nós duas juntas estamos enfrentando esse mundo adulto que por mais difícil que seja ainda tem espaço para sonhadores, mas só para aqueles que realmente se atrevem a sonhar.

Lets de Melo

(34) 9 9228-3822

leticiadepaulo@gmail.com

 

 

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