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Procura-se um profissional de Mídias Sociais com essas qualidades

Procura-se um profissional de Mídias Sociais com essas qualidades

A supervisora do curso de Mídias Sociais do Centro Europeu, Marianna Greca, fez uma reflexão sobre qualidades que ninguém vê, mas que são fundamentais para o gestor de mídias sociais. Confira!

O Marketing Digital introduziu a necessidade de profissionais com qualidades inéditas.

E ser um(a) profissional de Mídias Sociais é, de fato, atirar no escuro todos os dias.

Claro, temos à nossa disposição a automatização das métricas de análise, inúmeras maneiras de testar novos públicos e abordagens, e o constante aperfeiçoamento das ferramentas de analytics das redes sociais.

Mas no final das contas, para a grande tristeza de nossos clientes e grande alegria da nossa gastrite, lidamos com conteúdos que as pessoas podem ou não gostar, crises que nem o oráculo poderia prever, mudanças nas regras das ferramentas sem aviso prévio e a necessidade de um feeling difícil de ensinar.

Nesse cenário, como saber para onde direcionar a criatividade ao produzir para mídias sociais? Como criar conteúdo que funciona?

Há dicas em todos os lugares. O livro “Creators” de Paul Johnson, por exemplo, mostra o processo criativo de vários artistas ao longo da história. Utilidade? Lá você pode conferir insights sobre métodos, pensamentos e exemplos para comparação com nosso próprio dia a dia em uma agência de comunicação digital - que ofereça ou não trabalho em redes sociais.

Com alguma razão e muita sensibilidade, tomemos a descrição sobre um deles: Jane Austen.

Para começar, a escritora do século XIX – hoje reconhecida mundialmente - também vivia em uma época certamente desfavorável ao trabalho criativo de uma mulher.

Além de mal ter tempo para se dedicar à escrita, em virtude de afazeres domésticos e obrigações sociais, Austen não poderia contar com a ajuda da sua circunstância para se tornar a grande novelista que se tornou.

Ela precisou encontrar métodos para driblar as desvantagens de sua própria situação.

Com essas ferramentas cultivadas por ela, confira as qualidades que ainda faltam no gerenciamento de redes sociais nas pequenas e grandes agências de comunicação:

Auto-crítica

Antes de mais nada, Austen atingiu a impecável qualidade de seus trabalhos devido à sua característica pessoal de auto-crítica.

Esse era um hábito da autora, que geralmente falta em muitos profissionais.

Ela tornou-se uma juíza excelente sobre seu próprio trabalho – próximo artigo: “Seja seu próprio gestor” -, estabelecendo a franca distinção entre o que ela sabia fazer e o que ela fazia de melhor.

Voltando ao nosso tempo, como pessoa – deixe para lá sua super visão profissional por um minuto -, sinceramente, aquele conteúdo em aprovação faz sentido para você? Conversa com o seu contexto emocional? Com o que tem lido e ouvido no mundo? Ele é relevante para o seu aprendizado, entretenimento, compartilhamento?

Será que você sabe ser esse(a) juiz(a) imparcial e assertivo(a) sobre as entregas? Os prazos, política, ego, estão no seu caminho? E sobre o time? O que a minha equipe faz bem? E o que ela faz melhor do que ninguém?

 

Entusiasmo

Essa reflexão sobre a liderança é reforçada por outra característica da escritora. Jane Austen não é tida como um gênio criativo, mas tinha qualidades que fundamentaram a obra da sua vida.

Além da auto-crítica, Austen tinha dentro de si uma urgência em criar. Era uma compulsão natural, que lhe propiciava uma paixão ao ofício. Em uma palavra: entusiasmo.

E aí, a maneira como você administra o seu dia a dia alimenta esse entusiasmo? A gestão de mídias sociais, por você, reflete esse espírito?

 

Entendimento (real) sobre a marca e quem são seus fãs

Outro ponto descrito sobre a autora é seu aguçado poder de observação como recurso criativo. Austen nunca escrevia sobre o que não conhecia.

Ela mantinha o foco naquilo que havia observado, ouvido, pensado e se importado profundamente. Esse é inclusive um método peculiar na literatura de ficção: Jane Austen nunca descrevia eventos que ela mesma nunca tivesse ouvido ou vivenciado.

O escritor britânico Evelyn Waugh dizia que a experiência pessoal do escritor é o seu capital, que deve ser usado sabiamente e, acima de tudo, é insubstituível.

Então, será que você, como community manager, conhece profundamente o universo daquela marca que atende? O público certamente conhece (caso contrário não seria seguidor dos perfis sociais) mas a equipe tem a vivência daqueles produtos também?

Você compreende, realmente se importa com as dúvidas, anseios e motivações daqueles fãs da marca?

E uma vez compreendidos, uma vez parte daquele universo, não se torna muito mais fácil criar conteúdo que atinja o coração das pessoas?

 

Para encerrar:

Pelos 200 anos após sua morte, os livros de Jane Austen eram apenas livros, pouco conhecidos e reconhecidos. Hoje, sua obra vende milhões de cópias ao ano, em muitos idiomas, sendo considerada uma das maiores escritoras da história.

Infelizmente – ou felizmente? -, não podemos nos dar ao luxo de produzir conteúdo que não seja compreendido pela época de sua produção, que inclusive muda a cada 2 horas nas redes sociais.

Afinal, é uma verdade universalmente aceita que o presente é o nosso único ativo para sobrevivermos na área da comunicação digital do século XXI.

Cabe avaliarmos se ele está sendo utilizado com feroz  auto-crítica, se o universo das marcas está sendo compreendido e, se acima de tudo, o processo criativo está sendo vivido com o mais autêntico entusiasmo.

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