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Meu mestrado em Amsterdam

Meu mestrado em Amsterdam

Ama Amsterdam? Então leia sobre o mestrado da Caroline por lá! Segundo ela, a interculturalidade é fundamental para os profissionais. Afinal, ela gera empatia, que gera gentileza, que também gera gentileza! ;)

 

Lá da beira dos meus 33 anos, optei por arriscar e perseguir um sonho. Não foi uma decisão fácil. De um lado, o meu sonho: um mestrado internacional, uma formação na Europa, a possibilidade de tantas experiências diferentes e excitantes. Assim como a incerteza. Do outro lado, um cargo respeitável, após quase 9 anos em uma empresa de grande porte, certa estabilidade, a proximidade com a família, a vida a dois com o “namorido”, o tamanho do investimento financeiro. Após medir tudo tim-tim por tim-tim e com muito apoio de todos à minha volta, embarquei com destino a Amsterdam.

Entre tantos atrativos que foram somando-se, sempre me agradou muito o contato com diferentes culturas, fosse nas oportunidades profissionais que surgiram ao longo da minha carreira, ou nas aventuras pessoais. Interculturalidade é um item cada vez mais enfatizado e cobiçado em currículos dos ditos "profissionais do futuro". Mas hoje quando eu paro para pensar, quando se fala em interculturalidade, acredito que empatia é onde realmente queremos chegar. A habilidade de enxergar por outras lentes coisas que você toma como certas todos os dias. A empatia pode te mostrar que algo culturalmente simples e corriqueiro pra um, pode ser confuso e extraordinário pra outro. O que é engraçado e inofensivo pra um, pode ser triste e ofensivo pra outro, e por aí vai.

Durante uma experiência explicitamente intercultural, você é forçado a sair da sua zona de conforto, tirar as lentes que você já nem percebe que está usando. O idioma é diferente, as ruas são diferentes, alguns sistemas são diferentes… Diabos, até o que se faz com o papel higiênico após o uso é diferente! - Eu sei, talvez eu tenha ido um pouco longe demais com o último exemplo, mas é a realidade. Quase tudo o que fazemos em modo automático muda de uma hora pra outra, e isso faz com que tenhamos um pouco mais de auto-consciência. E é aí que começa o diálogo e a integração entre culturas.

Citando um exemplo bobo, aos poucos você vai percebendo que aquele holandês de bicicleta talvez não fosse simplesmente mal educado quando te disse algo rude, assim que você pisou na ciclovia tirando fotos dos canais. Talvez ele só tenha perdido a paciência momentaneamente porque você era a enésima pessoa que o assustava, entrando de repente no caminho, sem prestar atenção. Eu senti na pele o quanto isso era incômodo, a partir do momento em que passei a usar a bicicleta todos os dias como meio de locomoção. Da mesma forma, eu conseguia entender porquê os recém-chegados não eram tão atentos com o seu redor, principalmente por não estarem acostumados com o fluxo intenso de bicicletas pela cidade. Eu já fui um deles também!

Esta flexibilidade e adaptabilidade, esta tal empatia, é extremamente útil em diferentes níveis: no dia a dia, em relacionamentos pessoais, no contato com outros profissionais ou clientes. É igualmente imprescindível em posições de liderança e negociação, uma vez que facilita a percepção de oportunidades e evita conflitos, promovendo a integração, tolerância e respeito mútuos.

Logicamente, não é um exercício fácil. Sim, eu também tinha vontade de dizer algo rude quando alguém cortava a minha frente e eu quase caía da bicicleta (até porque eu não tinha a mesma habilidade que a maioria dos holandeses). Mas o fato de eu ter feito toda uma reflexão me ajudava a praticar a tolerância. E essa reflexão só aconteceu por causa da minha experiência intercultural. Não existe um segredo, ou um passe de mágica. É um exercício. Você vai rir de algumas coisas, chorar de outras, se divertir, se irritar. Faz parte do aprendizado. Mas cada passo acaba sendo válido, se você estiver aberto a perceber as coisas por uma perspectiva diferente. Basicamente, o meu raciocínio é: interculturalidade gera empatia, empatia gera gentileza, e gentileza gera gentileza, sabe como é?

Por fim: Sim! A interculturalidade é importante para empresas. Mas é também pra pessoas, pra políticas, pra vida! E pra ser honesta, bem longe de mim tentar parecer algum tipo de guru da paciência, ou especialista da empatia depois de um mestrado internacional. É só que… quando eu olho para inúmeros acontecimentos locais, nacionais, internacionais… pelo menos exercitar um pouquinho mais de empatia me parece urgente.

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