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Mercado da Moda: a influência da Quarta Revolução Industrial

Mercado da Moda: a influência da Quarta Revolução Industrial

Esta semana em sala de aula, uma aluna me comentou que nunca havia escutado nada sobre a Quarta Revolução Industrial, somente no Centro Europeu. E que estava muito impressionada e surpresa com o que encontrou na internet sobre as revoluções tecnológicas. A verdade é que a tecnologia digital é ubíqua, e por mais que você não perceba, assim como a eletricidade, está em todos os lados, nos permeia, nos inunda, muda a forma como nos relacionamos, consumimos, trabalhamos, aprendemos e vivemos.

Sendo assim, decidi esclarecer como chegamos à Quarta Revolução Industrial, a revolução das máquinas, e sua influência no mercado de moda.

Segundo historiadores, vivemos pelo menos duas revoluções industriais que transformaram os processos de produção e distribuição de produtos e mudou de forma decisiva a localização das riquezas e do poder no mundo.

A Primeira Revolução Industrial iniciou na Inglaterra, aproximadamente na metade do século XVIII, caracterizada por novas tecnologias como a invenção da máquina a vapor e sua aplicação na produção têxtil, fabricação de tecidos e fios.  A Segunda Revolução Industrial, aproximadamente cem anos depois, destacou-se pelo desenvolvimento da eletricidade, do motor de combustão interna, fundição eficiente do aço e pelo início das tecnologias de comunicação, com difusão do telégrafo e invenção do telefone. Em relação ao setor de vestuário, nos séculos XVIII e XIX, a primeira e segunda revoluções industriais aproveitaram a água, o vapor e a energia elétrica para mecanizar a confecção, desafiando o sistema tradicional de produção artesanal.

A Terceira Revolução Industrial teve início após a Segunda Guerra Mundial, e mudou radicalmente a configuração do sistema de produção com o avanço da tecnologia, robótica, telecomunicações e ciência. A cadeia têxtil, a partir da década de 90, sofre grandes mudanças no sistema de produção devido ao nascimento das gigantes do fast fashion, que produzem diversas coleções anuais rapidamente comercializadas, sempre com foco nas tendências e demanda do consumidor.

Na atualidade, no entanto, consultores e analistas do setor de vestuário preveem o fim das vantagens competitivas da manufatura de baixo custo. Atraso tecnológico, ineficiência produtiva, qualificação insuficiente, infraestruturas físicas precárias, longas distâncias que aumentam o custo em transporte e emissão de carbono, além das polêmicas relacionadas às precárias condições de trabalho dos fornecedores estão mudando gradualmente o comportamento de consumo da sociedade.

Portanto, a Quarta Revolução Industrial, alavancada por uma constelação de novas inovações físicas, digitais e biológicas, da impressão 3D e inteligência artificial aos avanços nos biomateriais, impulsionará uma nova transformação na economia. As máquinas de impressão 3D, por exemplo, vão ajudar a alterar os atuais métodos de produção da moda, permitindo às empresas criar rapidamente produtos complexos em qualquer lugar. Mas ainda, a produção de produtos em pequena escala se tornará mais rentável, abrindo cada vez mais, o caminho à customização. Atualmente, marcas como a Adidas e a Nike utilizam a impressão 3D para permitir que os clientes personalizem seus tênis, que agora se adaptam perfeitamente à fisionomia do cliente.

          Divulgação (/)

Para a Nike, o foco é customizar o seu tênis de um jeito único. A ideia é que o cliente possa criar o sneaker no site da marca e então ir até uma loja oficial para imprimi-lo.

Já a Adidas quer usar a tecnologia para criar sapatos mais adaptáveis a cada indivíduo. Com uma esteira na loja, eles planejam que cada cliente crie o tênis perfeito para o seu jeito de pisar. Após alguns minutos correndo, a impressora conseguirá reproduzir a pegada da pessoa e acolchoar os lugares com mais impacto.

Este futuro já chegou. Estamos em uma corrida atrás de tecnologia e inovação. Prepare-se para ela e aproveite tudo o que nos proporcionará.

 

Nicolle Gora

Supervisora e Docente Curso Design de Moda Centro Europeu.

 

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Supervisora do Núcleo de Moda do Centro Europeu. Pesquisadora nas áreas de tendências, inovação, tecnologia e novos comportamentos de consumo. Consultora de gestão em moda e educadora. Apaixonada pelo o que faz, está sempre em movimento...

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